Você é de determinada inclinação política e só tem em seu Facebook pessoas que também são da mesma inclinação? Você convive com pessoas que tem intenções de votos diferentes das suas? Você consegue conviver com aquele seu colega do time adversário? Você consegue conviver com pessoas com gostos musicais diferentes dos seus ou “odeio funk, funk, não é cultura”, “quem gosta de sertanejo é tudo igual”..?

Martin Luther King uma vez disse que tinha um sonho. O sonho da igualdade. Eu também tenho. Passei anos escrevendo sobre como as diferenças nos fazem especiais e únicos e, não me levem a mal, eu realmente acredito nisso, mas percebi que me tornei uma vítima da minha própria língua e que na verdade eu não era a pessoa tolerante que eu pensei que fosse. A verdade sincera é que é muito difícil se dizer “tolerante” quando até as nossas redes sociais contribuem para que a gente se divida cada vez mais em bolhas de pessoas que pensam exatamente como nós.

Como isso começou?

Desde a infância somos criados e ensinados a agirmos e pensarmos de determinada forma. A partir dessa criação adquirimos uma “visão” do que seria o considerado certo e o considerado errado, o que interfere diretamente na forma como cada um lida com as diferenças de interesses, ideologias e gostos pessoais, agindo, por consequência, em muitos casos, de forma preconceituosa e segregativa ao enfrentar essas diferenças.

O que são as bolhas sociais?

O crescimento das redes sociais possibilitou que criássemos grupos e comunidades com gostos e interesses em comum e com isso surgiu um mecanismo chamado “algoritmo seletivo” que ajuda a potencializar esse distanciamento que já existia entre nós. O que antes conhecíamos por “tribos”, por exemplo, os “roqueiros”, os “nerds”, as “patricinhas”, aqueles bons e velhos estereótipos dos filmes de high school norte americanos, hoje conhecemos por timeline de Facebook. Resumindo, a grosso modo, o Facebook começou a escolher e determinar que tipo de conteúdo (e de quem) vai aparecer na sua timeline a partir dos posts que você curte, clica e comenta.

E porque isso é ruim?

Isso é ruim porque o fato de excluir totalmente pessoas que pensam diferente é a afirmação da incapacidade de convivência com a diferença e um caminho perigoso visto que observamos já diversas situações que colocam essa incapacidade como fator determinante pra guerras, embates e disseminação do ódio.

Como posso evitar essas bolhas?

Uma resposta interessante seria: aceite as diferenças (ou melhor)… aprecie elas. A palavra aceitar faz parecer que as diferenças são um erro e elas não são. Elas são apenas mais uma das nossas particularidades como seres humanos e totalmente necessárias pra nossa evolução como sociedade, já que só evoluímos com as diferenças. Um debate com pessoas que pensam igual é um monólogo, só evoluímos escutando e apreciando essas diferenças e quem sabe um dia a gente não consegue dizer que o sonho do Martin Luther King virou realidade.

(Fonte: Alt Girls/Fala Ella)