A expressão fake news ganhou as páginas dos jornais e a internet nos últimos anos. No entanto, nem todos sabem ao certo o que significa fake news. O termo vem do inglês fake (falsa/falso) e news (notícias). Dessa forma, em português, a palavra significa notícias falsas. Apesar de ter se destacado recentemente, a expressão é bem mais antiga e data do final do século XIX. Fake News são as informações falsas que viralizam entre a população como se fosse verdade. Atualmente, elas estão, principalmente, relacionadas às redes sociais.

O que significa Fake News?

A internet possibilita que as notícias se espalhem em uma velocidade cada vez mais rápida. E as redes sociais aceleraram ainda mais esse processo. Entretanto, o espaço também é propício para que as notícias falsas também sejam facilmente divulgadas. Além disso, outro fator importante é que as pessoas perderam o costume de verificar as fontes de um dado. Quando algo é publicado, automaticamente há centenas de compartilhamentos sem nem ao menos chegar de onde partiu aquela notícia.
O período das eleições tem levantado o debate sobre o perigo das fake news. Ultimamente criou-se uma espécie de guerra entre os envolvidos no processo eleitoral para derrubar os candidatos adversários com a divulgação de notícias falas na internet. Escândalos de criação de departamentos especializados na criação e propagação de informações inverídicas ganhou as manchetes em todo o mundo.

Como as fake news são criadas?

Existem diferentes formas de criar fake news. Desde uma simples publicação nas redes sociais a empresas que são especialistas em viralizar informações falsas. Os objetivos também variam e podem ter o intuito de atrair visualizações para páginas nas mídias sociais ou até mesmo disseminar o ódio contra pessoas, instituições, empresas, governos, etc. As empresas especializadas estão presentes na chamada deep web, uma parte mais restrita e oculta ao grande público, pois não aparece nos motores de busca.
De modo geral, é criada uma página na internet e um robô responsável por espalhar o link da fake news em diferentes redes, de forma bastante maçante. A informação pode chegar a ser replicada até mesmo a cada dois segundos pelos robôs. É dessa forma que os boatos ganham proporções inimagináveis.

Como descobrir uma Fake News?

Com o impacto cada vez mais das fake news no cotidiano, algumas plataformas surgiram com o intuito de verificar a veracidade das informações. Também conhecidas como fact-checking, elas analisam as notícias mais compartilhadas e verificam se os dados condizem com a realidade. Confira uma lista delas abaixo:
• Truco

Como combater as Fake News?

No Brasil a legislação ainda não trata especificamente da criação e compartilhamento de notícias falsas. Os advogados têm buscado formas para lidar com as fake news. De modo geral, os profissionais seguem o que está previsto no Código Penal para os casos de calúnia, injúria e difamação.
Para além da legislação, é fundamental que haja políticas de conscientização da população para o perigo de replicar as informações falsas. Cada cidadão também deve assumir o compromisso de verificar os fatos antes de compartilhá-los na rede e até mesmo de acreditar em tudo o que circula nas redes sociais.

Entenda os principais pontos sobre o projeto de lei das fake news

Após o Senado aprovar no fim de junho o projeto de lei de combate às fake news, a Câmara dos Deputados passou a analisar o tema. Desde meados de julho, parlamentares e especialistas conduzem debates virtuais para discutir pontos controversos do projeto. Segundo o presidente da Casa, Rodrigo Maia, a intenção é criar um texto “melhor” do que o aprovado pelos senadores. Veja aqui alguns tópicos controversos em discussão do projeto.

Origem rastreada

Segundo o texto aprovado pelo Senado, aplicativos de mensagens terão que armazenar por pelo menos três meses os registros de envios que alcancem mais de mil usuários. Entidades criticam o fato de que pessoas não envolvidas na cadeia de desinformação, como jornalistas, pesquisadores e parlamentares, terão os dados guardados. A identificação dos responsáveis pelos disparos dependerá de ordem judicial.

Na Câmara, deputados já discutem a alteração ou a retirada total do artigo que determina o armazenamento desses registros. Um grupo de parlamentares avalia que o texto aprovado pelo Senado indica uma previsão “muito ampla” para a manutenção desses dados nos servidores.

Identificação de usuários

Redes sociais vão poder requisitar a identidade de usuários, caso haja denúncia ou indício de desrespeito à lei, uso de robôs e contas falsas. A principal crítica é que esse tópico vai na contramão da Lei Geral de Proteção de Dados, que estabelece um princípio de coleta mínima de dados para uma finalidade específica, sem identificação em massa e indistinta de usuários. A Câmara pretende derrubar esse ponto do projeto.

Controle do conteúdo

Publicações poderão ser deletadas imediatamente quando envolverem crimes (como em casos de pornografia infantil) ou em situações em que houver “dano imediato de difícil reparação”. Entidades sugerem que podem ocorrer violações à liberdade de expressão, uma vez que se trata do reforço do controle das plataformas sobre o conteúdo publicado.

Robôs fora da rede

Contas com comportamento robotizado deverão ser excluídas quando a automatização não estiver informada com clareza às plataformas e aos usuários. Os mecanismos para identificar comportamentos incompatíveis com a ação humana caberão às empresas. Pesquisadores creem que a medida pode esbarrar em diagnósticos incompletos, devido a complexidade da análise, e punir usuários reais.

Representação brasileira

Empresas que gerenciam redes sociais e aplicativos de mensagens precisarão ter sede e representantes no Brasil. Também serão obrigadas a permitir que autoridades brasileiras acessem remotamente seus bancos de dados, quando determinado pela Justiça. Há uma crítica frequente contra as plataformas, que não costumam colaborar com as investigações nacionais.

Código de conduta

O Congresso deverá criar um conselho que elabore um código de conduta para as empresas do setor, incluindo o tema da desinformação, e avalie o comportamento delas diante das normas. Entidades afirmam que, ao barrar filiados de partidos políticos para o colegiado, o sistema de nomeação é inconstitucional. Há um temor de barreiras à liberdade de expressão por meio da definição de um conceito de fake news.

Possíveis novidades

Está em andamento na Câmara uma articulação para incluir no projeto das fake news um ponto que parlamentares julgam não ter sido contemplado pelo texto aprovado no Senado: a tipificação penal da conduta de quem financia e dissemina as notícias falsas. Um dos objetivos é criar uma pena de um a cinco anos de prisão e multa para quem vender, comprar, usar ou financiar serviços de robôs e de disparo de mensagens em massa sem consentimento dos destinatários.

A punição seria aumentada em um sexto caso o crime fosse cometido por servidor público. A previsão chegou a constar das versões iniciais do texto discutido no Senado, mas foi retirada posteriormente. Deputados à frente das discussões defendem que a estrutura por trás da disseminação de conteúdos falsos seja atacada, não um indivíduo que tenha, sem saber, propagado uma notícia falsa.

(Fontes: Educa Mais Brasil e Exame)