O mundo não tem sido o mesmo nestes últimos meses. Seja na dinâmica das cidades, ou nos hábitos dentro de casa, o avanço e a alta letalidade da Covid-19 mexeu com as estruturas de toda a população.

Os impactos não são apenas na saúde, ou na economia. Todos os setores sociais foram desafiados a se adaptar a este tempo de pandemia, inclusive a educação.

As autoridades governamentais determinaram a suspensão das aulas presenciais como medida de prevenção ao avanço do novo coronavírus. Dessa forma, as instituições de ensino precisaram encontrar formas de dar continuidade aos estudos dos alunos.

Na maioria das escolas, pelo menos nas de ensino privado, as aulas virtuais são utilizadas para a permanência do vínculo do estudante com a escola e a continuidade da aprendizagem.

A educação a distância há muito se apresenta como opção de modalidade educativa, mas agora é a única alternativa para os estudos acontecerem vinculados às instituições de ensino.

Para alguns, foi preciso deixar alguns preconceitos e desconfianças de lado e tirar o melhor proveito do ensino remoto, uma vez que as ferramentas digitais já fazem parte da nossa vida e chegaram para ficar como nova metodologia de ensino.

Nesse sentido a inovação tecnológica estampa consequentemente a inovação pedagógica. Afinal, estar comprometido com a educação exige a busca incessante pelo novo. Seja uma metodologia didática inovadora, seja uma abordagem envolvendo o social, político, econômico e cultural.

Acessibilidade, conexão, inserção, flexibilidade, oportunidade, tecnologia e inovação. Essas são algumas das principais características que definem a modalidade que tem crescido e modificado a realidade de muitos brasileiros: a educação a distância (EaD).

Apesar de ter este nome, para parte da população, o EaD é a aproximação entre o cidadão e a educação.

Os avanços tecnológicos e a evolução da internet permitiram que o ensino chegasse a localidades que não teriam condições de implementar um campus tradicional de universidade, por exemplo. Isso torna a modalidade uma ferramenta essencial para democratizar o acesso ao ensino superior e agora, no contexto atual, ao ensino fundamental e médio.

MAS DESDE QUANDO SURGIU A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA?

Apesar do termo ter ganhado destaque nos últimos anos, a educação a distância já vem sendo praticada há bastante tempo. Bastante mesmo!

No entanto, é fato que, com o advento da internet, e incremento das tecnologias da informação e comunicação (TICs), a modalidade “Educação a Distância” deu um salto em qualidade, relevância e expansão.

O primeiro registro de um curso a distância foi em 1728, na cidade de Boston, nos Estados Unidos (Eu não disse que fazia tempo?). No jornal da cidade, um anúncio inusitado: o professor Caleb Phillips oferecia um curso de Taquigrafia (técnica para escrever à mão de forma rápida, usando códigos e abreviações) para alunos em todo o país, com materiais enviados semanalmente pelo correio.

No Brasil, o EaD surgiu com cursos de qualificação profissional. O registro mais antigo data de 1904, com um anúncio nos classificados do Jornal do Brasil de um curso de datilografia (para usar máquinas de escrever) por correspondência.

Na década de 1920, os brasileiros já podiam contar com cursos transmitidos pelas ondas do rádio, a grande novidade tecnológica da época. Os estudantes utilizavam material impresso para aprender novas línguas, como Português, Francês e temas relacionados à radiodifusão.

Com o passar do tempo, os cursos de ensino a distância incorporaram outros níveis da educação, como o fundamental completo para adultos. E, no final da década de 1970, começou em Brasília a primeira experiência de EAD nos cursos superiores.

Quem nunca acordou de madrugada e ao ligar a televisão se deparou com as aulas do Telecurso 2000? “É hora da revisão”. Bem, alguns nascidos no século XXI nunca tiveram essa experiência…

Mas foi em 1995 que a Fundação Roberto Marinho e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo lançaram o Telecurso 2000 com o intuito de colaborar com uma parcela da população que não havia completado o ensino fundamental ou o médio.

Como visto, ao longo do tempo o EaD vem ganhando destaque como inovação tecnológica e uma válida alternativa de democratização da educação.

Em questão de regulação legal, um dos mais importantes é o Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de 2005, que regulamentou a equivalência integral entre diplomas presenciais e a distância, garantindo a estes validade em todo o território nacional. Portanto, o diploma de conclusão a distância tem a mesma validade de um curso presencial.

E NOS DIAS DE HOJE, O QUE É EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA?

Basicamente, Educação a Distância é uma modalidade de ensino em que professores e alunos não precisam estar fisicamente no mesmo ambiente e ao mesmo tempo para que ocorra a aprendizagem. Assim, podem haver momentos sincrônicos e anacrônicos.

A  gestão das aulas se dá por uma, ou várias, plataformas, onde é possível reproduzir uma sala de aula virtual. Videoaulas, textos digitalizados e demais materiais são a base do curso a distância.

E estes conteúdos educativos podem ser encontrados nos mais variados formatos e recursos tecnológicos, como artigos, áudios, atividades online, aplicativos ou até mesmo uma lousa virtual.

Uma das características marcantes dos cursos remotos, nos dias atuais, é o uso crescente dos recursos tecnológicos, cujos canais de navegação se dão por meio da internet em seus diversos browsers, o que se torna visível nas telas do computador,  celular ou  tablet. O que também possibilitou maior dinâmica e interação das aulas virtuais, atingindo um maior número de usuários.

Desse modo, no quesito social, a EaD é uma modalidade em crescente desenvolvimento e expansão, dada sua flexibilidade, facilidade de acesso e autonomia do aluno. Sobre esta questão é preciso uma atenção especial e vamos a respeito mais à frente.

Com a globalização e o avanço das tecnologias da informação e comunicação (TICs), a educação a distância transforma as formas de acesso ao conhecimento e à formulação dos processos de ensino-aprendizagem, com o rompimento do modelo físico do ambiente de aprendizagem.

Mas e a avaliação do aprendizado, como fica? No modelo EaD existem duas formas de avaliar. pode ser com uma avaliação quantitativa, a qual atribui-se valor numérico ou pela atribuição de uma qualidade, cuja denominação é avaliação quantitativa. É facultado o uso dessas formas, inclusive simultaneamente, a fim de estabelecer critérios para aferir o desempenho dos alunos.

A EaD tem ganhado espaço no cenário educacional do Brasil, apresentando-se como alternativa enquanto modalidade minimizadora de questões como deslocamento e ativismo. Dessa forma, desobrigam a presença do educando em um ambiente físico de aprendizagem com carga horária e frequência estabelecida, sendo estes fatores determinante para aprovação.

O QUE NÃO É EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA?

Apesar da distância presencial, é importante ressaltar que o ensino a distância não é uma aprendizagem solitária. Pois os os cursos contam com a atuação de professores, tutores e diversos outros profissionais que desenvolvem a mediação pedagógica, algo imprescindível ao processo de ensino e aprendizagem.

Além disto, é um processo recorrente na EaD  a aprendizagem colaborativa, pois o conhecimento deve ser construído a partir da intensa relação entre os protagonistas dos cursos: os alunos. Eles podem, e devem, interagir nas aulas virtuais, chats, fóruns, e outros locais online disponibilizados pela instituição.

Quanto maior for o envolvimento de toda a turma, maior será a quantidade de informações e conhecimentos compartilhados. Os próprios estudantes são parceiros na construção do saber, superando qualquer eventual individualismo.

VANTAGENS E DESVANTAGENS DA EAD

A flexibilidade é uma das principais vantagens da educação a distância, mas também pode transformar-se em desvantagem se não houver um bom exercício de autonomia por parte do aluno. A EaD requer disciplina, pois só através dela é possível conciliar atividades diárias, com as tarefas propostas durante a semana.

Para reforçar, é preciso compreender que a distância só existe no nome da modalidade, pois o comprometimento diário, a necessidade de comunicação com os professores, as trocas de experiências nos fóruns abertos e as aprendizagens em grupo unem a turma pela tecnologia, através de novas perspectivas de interação e comunicação.

Nos últimos anos, o crescimento do ensino a distância é explicado também por sua viabilidade financeira, redução de custos e praticidade pedagógica, flexibilidade de horário, comodidade para estudar e desenvolver as atividades, como também para o conhecimento e a capacitação individual, o que torna o professor e o estudante mais autônomos, flexíveis e produtivos.

Se há um ganho na viabilidade financeira e flexibilidade de horários, por outro lado surgem outros desafios como a falta de acesso ou habilidade quando se trata de tecnologias, visto que existem diversas pessoas que não estão familiarizadas com computadores, notebooks, tablets e celulares. Além da dificuldade em obter um bom computador e uma boa rede de internet.

COMO AS ESCOLAS DO ENSINO BÁSICO ESTÃO LIDANDO COM A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA EM TEMPOS DE COVID-19?

Desde do início de 2020 em que a disseminação exponencial do coronavírus   tomou conta do mundo, os países mais afetados pela COVID-19 decretaram o fechamento das escolas. O isolamento social obrigou que todos ficassem em seus lares.

Para melhor entender o quadro mundial atual na área, a organização sem fins lucrativos Todos Pela Educação divulgou em Nota Técnica de abril de 2020 de que “já são 91% o total de alunos do mundo e mais de 95% da América Latina que estão temporariamente fora da escola devido à pandemia do Covid-19”.

Diante desta situação emergencial que se prolonga, a organização junto com o Conselho Nacional de Educação acreditam que não fazer nada, sob o argumento de que a prática da educação à distância aumentaria as diferenças sociais é o mesmo que negligenciar os alunos.

Na falta de pronunciamento ou regulamentação oficial por parte dos órgãos federais até a data da divulgação da nota técnica, os representantes do Conselho Nacional e outras instituições envolvidas no debate apostam que as estratégias de ensino a distância devem reduzir os efeitos negativos do distanciamento social, mesmo que seja temporário.

Quanto a isso, as escolas privadas entraram  com força na corrida do ensino remoto, visto que mesmo suscetível às heterogeneidades, ela está menos exposta às desigualdades sociais.

Entende-se, então, que haverá lacunas de diversas naturezas a serem consideradas em todos os setores da Educação do Ensino Básico, tanto no privado como no público, quando a extensão continental do nosso país revela uma diversidade imensurável.

Imagine o ensino a distância chegando às comunidades indígenas onde nem sempre há internet? E nas favelas?

Daí, foi possível levantar os diversos recursos existentes para alcançar a todos, em um esforço nacional para não se acomodar diante das dificuldades e cuidar de nossas crianças.

Sabe-se que os recursos existem e mesmo que não sejam o ideal, é possível desenvolver uma prática de ensino remoto, usando o que existe. Vejamos o que há:

  • Plataformas online
  • Vídeo-aulas gravadas
  • Materiais digitais via rede
  • Aulas online multisseriadas ou por etapas
  • Aulas via TV
  • Orientações genéricas via redes sociais
  • Tutoria/chat
  • E outros, como disponibilizar atividades impressas.

*A ordem dos recursos para o ensino remoto estão apresentadas de forma decrescente das mais para as menos usadas em todo país.

Agência Brasil confirma que:

Unesco aconselha a aliviar o impacto sobre o currículo escolar de várias formas. A primeira coisa é fazer o uso mais extensivo possível de todos os recursos a distância… para minimizar os impactos negativos do distanciamento ou isolamento social.

Para que haja ordem e todos possam lançar mão desta gama de recursos, as normatizações sobre a equivalência de ensino para fins de cumprimento do ano letivo precisam ser objeto de atenção dos órgãos reguladores e, desde já, redes de ensino precisam começar a planejar um conjunto robusto de ações para o retorno às aulas.

O que se conclui então é que em tempos de coronavírus, com a garotada fechada em casa, sem frequentar as escolas e isoladas socialmente, tornou-se importante mantê-la envolvida no convívio com professores e colegas no ambiente de desenvolvimento cognitivo.

Dessa maneira, trazer aos lares as aprendizagens da esfera escolar é, além de ensinar, uma forma de cuidar das crianças e dos jovens, levando aos seus lares uma educação remota em que pais e família se tornam os agentes colaboradores na hora de ensinar pacientemente.

(Fonte: Blog Casa e Escola)