Todo banhista sempre terá um encontro com uma água-viva. Inevitavelmente. Mas o mais provável é que você nem perceba. Das mais de 5 mil espécies desse animal, cujo tamanho varia de 1 milímetro a 36 metros, só uma parcela causa algum dano a nós. É que o mecanismo de ação delas não tem a ver com queimadura – e sim com envenenamento. Quando você encosta em uma água-viva, ela ejeta filamentos cheios de toxinas, que perfuram a pele. Essas toxinas podem ou não causar dor aos seres humanos. Mas não é um ataque. É só uma forma automática de defesa.

1. Quando as células da água-viva recebem o estímulo químico ou físico (contato) de um corpo estranho, os cnidócitos se abrem. É automático e involuntário – as águas-vivas não têm capacidade neural ou percepção sensorial para atacar.

2. A água do mar entra no cnidócito e os nematocistos, cheios de toxinas, são ejetados. Como se fosse uma agulha hipodérmica, esse filamento penetra no corpo. A picada dá a sensação de queimadura.

3. Quando invadem o corpo, essas células liberam uma série de toxinas, que podem causar apenas coceira ou febre ou levar algo mais sério, como problemas cardíacos e perda de consciência. A maioria das águas-vivas que vivem nos mares brasileiros tem veneno fraco.

COMO CUIDAR DA PELE
Lave bem seu corpo com água do mar. A água doce tem um equilíbrio osmótico diferente dos nematocistos – e, se ele ainda não tiver liberado o veneno, a água da torneira o fará disparar. Se as coceiras persistirem e desencadearem uma reação alérgica, procure ajuda médica.

Fonte: Superinteressante

Comentários do professor Enrique Campelo:

– Dizem que nada pode estragar um verão assim, mas é preciso estar atento a alguns acidentes litorâneos comuns nesta época do ano. Um deles é o causado por águas-vivas e caravelas. De cada mil atendimentos de emergência em cidades do litoral do Brasil, um é provocado por animais marinhos. Tal levantamento é do dermatologista e zoólogo-pesquisador Vidal Haddad, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

– Embora sejam simples na estrutura, esses animais do filo dos cnidários têm um sistema de “envenenamento”, associado aos cnidoblastos/cnidócitos, bastante avançado. Munidos de células tóxicas (cnidócitos, que liberam substâncias urticantes) por todo o corpo, injetam as toxinas na pele de quem esbarra neles, uma reação do seu mecanismo de defesa, que é bem parecida a sensação de uma queimadura química.

 

Graduado em Licenciatura Plena em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Pará – UFPA. Atua como Professor do Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos (EJA) na disciplina Biologia Geral. Atua como autor de material didático de instituições de ensino voltadas ao ENEM. Tem experiência em Laboratório com ênfase em Investigações em Neurodegeneração e Infecção da UFPA (HUJBB) e no Laboratório de Biologia Molecular e Celular do Núcleo de Medicina Tropical da UFPA (NMT).