Compreender a si mesmo é preciso. “A autoalienação começa quando acreditamos em tudo, sem questionar nada…”. A sensibilidade de uma criança não pode ser medida a partir de um adulto… Não são as grandes coisas que fazem a diferença, mas os pequenos detalhes que muitas vezes quase não percebemos…

Sobre as Emoções…

Um dos pontos mais críticos nas relações entre pais e filhos são as emoções. Ocorre que nem sempre levamos em conta a importância do lado emocional nos grandes e pequenos conflitos. Por isso mesmo, compreender esse processo pode ser a saída mais inteligente.

Se, no adulto, as emoções produzem determinados choques, na criança essas perturbações assumem caráter muito mais sério.

A criança se encontra num período de instabilidade em razão do seu crescimento. Sua psique ainda não possui parâmetros para dar consistência à sua personalidade, por isso. Ela vive em desequilíbrio contínuo.

Isso explica como, muitas vezes, a criança passa do choro ao riso, de uma atividade a outra, com uma grande rapidez, sem motivo aparente.

Sendo grande a sua vida afetiva, está a criança mais sujeita aos choques emocionais do que os adultos.

Além disso, não dispõe de energias físicas, não possui resistência para suportar o aparecimento da emoção.

Além da gravidade da crise emocional, com todo o cortejo de efeitos maléficos sobre a vida infantil, é preciso frisar a presença de um fator importante de que a criança é desprovida: a clareza da inteligência ou repertório de experiências pessoais.

O adulto, sofrendo o choque da emoção, procura logo conhecer a situação e assim restabelecer o equilíbrio perturbado.

A criança, entretanto, não dispõe de suficiente compreensão para se orientar. Então, o choque se prolonga através de sua hesitação, da desordem física e mental que a emoção produziu.

Criança não é um adulto de pequeno porte, ela é imatura, incompleta, e sua fisiologia emocional ainda carece de anos de experimentos até criar seu próprio repertório psico-cognitivo.

Ela é ansiosa por natureza, faz parte do instinto animal. Assim, é fundamental que se compreenda, que o melhor remédio para a ansiedade nesse estágio da vida, é paciência e diligente atenção para aparar os excessos, antes que eles se fixem em sua personalidade emergente de forma negativa.

Lembre-se, adquirir um mau hábito é coisa muito simples, removê-lo depois, nem tanto.
Finalmente, lembre-se sempre, as crianças são emocionais por natureza, uma vez que a razão ainda não faz parte do seu lastro mental. Por isso mesmo, uma agressão psicológica terá seu peso multiplicado muitas vezes, de modo negativo, na formação de sua personalidade.

Claro que esta lista é parcial. Existem muitos outros casos onde a regra se aplica. Permaneça com seu estado de atenção em alerta máximo!

(Fonte: Escola da Inteligência)

Comentário da psicóloga Andréa Carvalho:

– Segundo o psicólogo Daniel Goleman, “Emoções são sentimentos que se expressam por impulsos e numa vasta gama de intensidade, gerando ideias, condutas, ações e reações”. Quando trabalhadas, equilibradas e bem conduzidas transformam-se em sentimentos elevados, sublimados, tornando-se assim em virtudes.

– A impulsividade e a ansiedade são emoções presentes entre as crianças. No entanto, pela imaturidade própria da fase, elas não sabem como administrá-las e isso implica em problemas de relacionamento interpessoal e de convivência.

– É possível auxiliá-los a ter mais controle, a gerir melhor suas emoções da melhor maneira possível e o primeiro passo para isso é o reconhecimento da importância das emoções e o quão importante também é que expressem as mesmas.

– É necessário cautela e no que se refere a não contribuição para que as crianças reprimam suas emoções. Principalmente as que são consideradas “negativas” como o medo ou a raiva.

– Ao expressar essas emoções, as crianças estão transmitindo mensagens de que algo não está indo bem e a birra, por exemplo, pode representar algum desconforto vivenciado pela criança e sua incapacidade de lidar com o que lhe incomoda. A repressão do comportamento por parte dos pais, sem um entendimento prévio da real necessidade da criança, pode desencadear no desenvolvimento de uma personalidade incapaz de lidar com a linguagem emocional.

– A ideia ao desenvolver habilidades emocionais e trabalhar as emoções nas crianças é dar ferramentas para que consigam lidar da melhor forma em situações de conflito e assim reduzir a vulnerabilidade diante disso.

– Através do reconhecimento das emoções as crianças percebem que passam pelas mesmas coisas que as outras crianças com quem convivem. Raiva, medo, timidez, alegria… Como elas reagem diante do que sentem é o que as tornam singulares e auxiliarão para um desenvolvimento saudável de sua personalidade.

– O ser humano precisa conquistar essa percepção desde cedo, assim ele terá maturidade para respeitar as diferenças e, consequentemente, lidar bem com as adversidades e frustrações que estarão presentes ao longo de suas vidas.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva, 1995