A redução das emissões de poluentes atmosféricos e de sua concentração na atmosfera tem efeito direto sobre o número de internações hospitalares e mortalidade associadas à poluição do ar.

Só em Belo Horizonte, entre 236 e 656 mortes evitáveis por todas as causas foram estimadas somente para os anos de 2013 e 2014.

As informações são parte de uma pesquisa que apontou excessos de mortes em 24 cidades brasileiras causadas pelos níveis de concentração atmosférica de material particulado fino.

No estudo, foram analisados dados monitorados pelos órgãos ambientais estaduais de 2000 até 2017.

Apenas 24 cidades brasileiras monitoram as partículas finas que são respiráveis, todas no sudeste brasileiro. Quase 90% das concentrações anuais destas partículas nas cidades brasileiras foram superiores às diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os dados acima estão disponíveis em artigo publicado em colaboração internacional com a participação da pesquisadora Taciana Toledo de Almeida Albuquerque.

Fonte: Minas faz Ciência (matéria na íntegra)

Comentário do professor Enrique Campelo:

  • Nos últimos anos, a Terra vem experimentando temperaturas cada vez mais elevadas, medições anuais têm apontado para tal constatação. O desenvolvimento industrial há aproximadamente 300 anos e seu processo de aprimoramento, com o passar das décadas, lançou no mundo um novo modelo de produção e, portanto, de exploração dos recursos naturais.
  • A produção em maior quantidade acelerou a exploração dos recursos da mesma forma que aumentou a emissão de resíduos tóxicos para o ambiente, como, por exemplo, para a atmosfera. É fácil compreender: a indústria, para funcionar, precisa de um combustível que, ao ser queimado, irá liberar energia a qual promoverá o funcionamento das máquinas. Se aumenta o consumo, deve aumentar a produção, logo, mais recursos do meio são extraídos, mais combustível é queimado e mais resíduos são lançados no meio ambiente.
  • Alguns dos resíduos lançados na atmosfera em maior quantidade constituem os chamados gases estufas, como o gás carbônico (CO2), o qual a quantidade excessiva é emitida principalmente pela queima de combustíveis fósseis. Apesar de ser utilizado pelos autótrofos fotossintetizantes, a intensa emissão tem superado o consumo pela fotossíntese o que aumentou, nos últimos anos, a quantidade do gás na atmosfera. Esse aumento provoca a intensificação do efeito estufa, o qual provoca a elevação da temperatura global que pode ser entendida como aquecimento global.
  • O aquecimento do planeta pode provocar alterações nas outras condições ambientais e, consequentemente, na biodiversidade, ou seja, alterações nos ecossistemas. Sendo assim, poderá interferir no regime das chuvas e no clima de diversas regiões, comprometendo a atividade agrícola e provocando a extinção de espécies, gerando diversos tipos de desequilíbrios ao ambiente. As projeções apontam para o risco do derretimento (degelo) das calotas polares e inundações de áreas litorâneas, desabrigando famílias; descaracterizando ecossistemas próximos de regiões costeiras e trazendo o risco de contaminação, pela água salgada, dos lençóis freáticos (reservatórios de água subterrânea).
  • Depois dos estudos acerca do aquecimento global serem publicados em diversos artigos e revistas de renome científico, e algumas mudanças climáticas serem percebidas por organizações não governamentais; por organizações internacionais e por várias nações demonstrarem preocupações com tal problemática e após diversas reuniões (conferências mundiais), a maioria dos países desenvolvidos comprometeram-se em reduzir a emissão do gás carbônico e de outros gases estufas. Porém, para alcançar tal objetivo devem reduzir o consumo de combustíveis fósseis; utilizar equipamentos de maior rendimento e fazer investimento em fontes alternativas de energia (como por exemplo, a eólica), que não emitam gás carbônico ou não poluam tanto e que sejam renováveis.
Graduado em Licenciatura Plena em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Pará – UFPA. Atua como Professor do Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos (EJA) na disciplina Biologia Geral. Atua como autor de material didático de instituições de ensino voltadas ao ENEM. Tem experiência em Laboratório com ênfase em Investigações em Neurodegeneração e Infecção da UFPA (HUJBB) e no Laboratório de Biologia Molecular e Celular do Núcleo de Medicina Tropical da UFPA (NMT).