30/01/19

Manchas vermelhas, rosas ou brancas e alteração na sensibilidade da pele: essas são algumas características da hanseníase, uma das principais doenças dermatológicas do Brasil. O país ocupa o segundo lugar no ranking mundial de casos da enfermidade, ficando atrás apenas da Índia.

“A hanseníase é uma doença negligenciada, ou seja, que atinge populações com o menor IDH do planeta”, informa Sandra Durães, coordenadora do departamento e de campanha da hanseníase da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Dados de 2017 da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que foram 210.671 registros de hanseníase em 150 países, principalmente os subdesenvolvidos. No Brasil, foram 26.875 casos novos naquele ano, o que representa cerca de 13 pessoas infectadas a cada 100 mil.

O que é a hanseníase?
Doença causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Até a década de 1970, era chamada simplesmente de lepra no país. Devido ao estigma que o problema carregava, a nomenclatura foi alterada.

A hanseníase é considerada uma das enfermidades mais antigas da humanidade, e por muitos anos não havia tratamento adequado, o que levava o isolamento dos pacientes e preconceito pela falta de informações. Contudo, hoje a doença tem tratamento e cura.

Quais os sintomas? 
Na pele são as manchas avermelhadas, rosadas ou esbranquiçadas, caroços e ressecamento. A bactéria M. leprae ainda tem afinidade pelos nervos periféricos, atingindo-os e causando danos ao tato do paciente, dificultando sentir calor, frio e dor.

A enfermidade não é mortal, mas é potencialmente incapacitante. “Quem fica com sensibilidade nas mãos ou pés, por exemplo, não vai sentir uma panela quente ou uma pedrinha no sapato. E isso leva a machucados, feridas e úlceras, que podem causar infecções no tecido mole e até mutilações”, diz Durães. Caso a pessoa fique com sequelas, é preciso fazer fisioterapia.

Em 2017, dos quase 27 mil casos registrados de hanseníase no Brasil, 7% dos pacientes acabaram ficando com grau 2 de incapacidade – o mais grave da medida da evolução da lesão neural. O grau zero representa nenhuma alteração, enquanto o grau 1 indica sensibilidade nos olhos, mãos e pés.

Outros sintomas da doença são irritação na córnea, ardência nos olhos, diminuição da força muscular, inchaço, formigamento, sensação de choque e nariz entupido.

Como é a transmissão? 
Ocorre, principalmente, pelo contato com pessoas já infectadas e que ficam resfriadas, por exemplo. Espirros e outras secreções humanas podem soltar a bactéria no ar, que será inspirada por alguém ainda não infectado.

E o tratamento? 
Os pacientes são divididos em dois grupos: o de menor carga bacilar e maior carga. “Quem tem carga menor é tratado por três meses com dois antibióticos, e quem apresenta a maior é tratado durante 12 meses, com três antibióticos”, esclarece Durães.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito, sendo que as pessoas podem se cuidar em casa, com supervisão periódica nas unidades de saúde. Quanto mais rápido o início dos cuidados, menores são as chances de incapacidades físicas e transmissão da bactéria.

Segundo a médica, o tratamento mata a M. leprae, impedindo que a doença continue a se espalhar. “No entanto, o dano neural que o paciente já teve é irreversível”, explica. “Por isso, é muito importante o diagnóstico precoce.”

Há como evitar? 
Um dos problemas que dificulta o diagnóstico é o tempo de manifestação: depois de contrair a bactéria, a pessoa pode demorar de dois a sete anos para ter os sintomas clínicos. “Não existe nenhum teste para identificar a doença antes disso”, fala Durães. “Em casos raros podem ser pedidos exames de apoio, como o teste de baciloscopias, para saber a carga de bacilos e bactérias que o paciente tem, e biópsias de pele ou nervo.”

Fonte: Revista Galileu

Comentário do professor Enrique Campelo:

– Segundo o Ministério da Saúde, a hanseníase, também conhecida como lepra ou mal de Lázaro, é uma doença infecciosa causada por uma bactéria chamada Mycobacterium leprae. Foi descoberta em 1873 por um cientista chamado Hansen. O nome dado a ela é em homenagem ao seu descobridor. No entanto, esta é uma das doenças mais antigas já registradas na literatura, com casos na China, no Egito e na Índia, antes de Cristo.

– A doença é curável, mas se não tratada, pode ser preocupante. Hoje, em todo o mundo, o tratamento é oferecido gratuitamente e há várias campanhas para a erradicação da doença. Os países com maior incidência são os menos desenvolvidos ou com condições precárias de higiene e superpopulação.

– A transmissão do bacilo de Hansen se dá através de contato íntimo e contínuo com o doente não tratado. Apesar de ser uma doença da pele, é transmitida através de gotículas que saem do nariz ou através da saliva do paciente. Não há transmissão pelo contato com a pele do paciente.

– Ela afeta primordialmente a pele, mas pode afetar também os nervos periféricos e, eventualmente, outros órgãos. Ao penetrar no organismo, a bactéria inicia uma “luta” com o sistema imunológico do paciente. O período de incubação, quando não há manifestação de sintomas da doença, é prolongado e pode variar de meses a anos.

– O tratamento é gratuito e fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os antibióticos são usados para tratar as infecções, mas o tratamento completo é a longo prazo. Há alguns medicamentos específicos e combinações que são prescritas pelo médico. Alguns não podem ser tomados por grávidas. É fundamental seguir o tratamento, pois é eficaz e permite a cura da doença, caso não seja interrompido.

– A primeira dose do medicamento já garante que a hanseníase não será transmitida. A melhor forma de prevenir a doença é mantendo o sistema imunológico eficiente. Ter boa alimentação, praticar atividade física, manter condições aceitáveis de higiene também ajudam a manter a doença longe, pois caso haja contato com a bactéria, logo o organismo irá combatê-la.

– Outra dica importante é convencer os familiares e pessoas próximas a um doente a procurarem uma Unidade Básica de Saúde para avaliação quando for diagnosticado um caso de hanseníase na família. Dessa forma, a doença não será transmitida nem pela família nem pelos parentes próximos e amigos.

 

COMPARTILHAR
Graduado em Licenciatura Plena em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Pará – UFPA. Atua como Professor do Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos (EJA) na disciplina Biologia Geral. Atua como autor de material didático de instituições de ensino voltadas ao ENEM. Tem experiência em Laboratório com ênfase em Investigações em Neurodegeneração e Infecção da UFPA (HUJBB) e no Laboratório de Biologia Molecular e Celular do Núcleo de Medicina Tropical da UFPA (NMT).