08/10/2018

Nabella Salsabilla passou quatro dias esperando um telefonema animador vindo de Palu. Ele veio na noite desta segunda-feira, 1º, quando sua irmã finalmente confirmou que ela e toda a sua família estão a salvo do violento terremoto e tsunami que atingiram na sexta-feira essa localidade na área central da ilha indonésia de Celebes, deixando pelo menos 1.234 mortos, segundo o balanço oficial. Esse número pouco evoluiu nas últimas horas, mas as perspectivas ainda são sombrias: centenas de pessoas continuam presas sob os escombros, as equipes de resgate operam com enormes dificuldades, e o país pediu ajuda humanitária para fazer frente ao desastre.

Salsabilla, uma estudante de 20 anos, permaneceu dia e noite, durante 72 horas, junto à sua mãe numa mesquita perto da base aérea de Makassar, a capital de Celebes (ou Sulawesi, no idioma bahasa). Procuram lugar em algum dos aviões de transporte militar Hércules que viajam entre esta instalação e o maltratado aeroporto de Palu, a única oportunidade para ver e estar com suas famílias em curto prazo. Talvez na manhã de terça-feira consigam a esperada vaga, ou isso esperam. “Entendemos que é preciso dar prioridade à ajuda humanitária, como alimentos e remédios. Nossa família nos contou que a casa está muito danificada, mas tiveram sorte de que o tsunami não os alcançou, porque o edifício está um quilômetro terra adentro”, conta. Ambas sabem pelo menos que seus familiares estão a salvo; outros no mesmo recinto não podem dizer o mesmo.

A situação em Palu, cidade de 350.000 habitantes na costa ocidental da ilha de Celebes, é crítica. A ajuda humanitária entra principalmente através do aeroporto, porque o acesso por terra é difícil em decorrência dos deslizamentos de terra. As comunicações e o fornecimento de energia elétrica são intermitentes, e as equipes de resgates usam suas próprias mãos para procurar os possíveis sobreviventes enterrados sob os escombros, dada a impossibilidade de acesso do maquinário pesado. A Indonésia, através do presidente Joko Widodo, autorizou formalmente a abertura da zona à ajuda humanitária internacional, e as Nações Unidas calculam que 191.000 pessoas precisam desse socorro urgentemente. A ONG Oxfam prevê fornecer ajuda a 100.000 pessoas, fundamentalmente alimentos, equipamentos de purificação da água e barracas, indica Ancilla Bere, diretora dessa instituição na Indonésia.

O porta-voz da Agência Nacional de Gestão de Desastres, Sutopo Purwo Nugroho, disse em Jacarta que o número de vítimas chegou a 844, uma cifra semelhante à anunciada no domingo, enquanto mais de 59.000 moradores seguem desabrigados e dependem de alimentos que escasseiam. A Equipe de Intervenção Rápida, citada pela agência de notícias Antara, eleva a cifra de mortos para 1.203. Quase não há notícias sobre os danos na ainda inacessível região de Donggala, uma faixa litorânea de 300 quilômetros no noroeste da ilha, com uma população de 300.000 habitantes, mais próxima do epicentro do sismo, que teve magnitude 7,5.

Fonte: El País (matéria na íntegra)

Comentário do professor Ivan Veloso:

  • Também conhecido como sismo, o terremoto é um fenômeno geológico marcado por uma intensa e acelerada vibração da superfície terrestre;
  • A causa de um terremoto pode estar relacionada ao choque entre placas tectônicas, pela movimentação de gases no interior do planeta ou pela erupção vulcânica. É mais comum estar relacionado a movimentação das placas, que pode provocar a formação de falhas na superfície terrestre, deslizamentos ou mesmo os tsunamis (quando ocorrem no mar);
  • Os tsunamis são ondas gigantescas provocadas pela mobilização de uma grande quantidade de massa de água, atingindo fortemente o litoral dos continentes, tendo consequências trágicas para países ou mesmo cidades localizadas na costa dos continentes.
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É geógrafo e professor exclusivo do Sistema de Ensino Equipe, já lecionou em diversas outras escolas em Belém e região metropolitana. Foi coordenador do projeto Passaporte Enem, publicado pela editora SEE. Atualmente, coordena a editora do Sistema de Ensino Equipe.