13/09/2018

As cores predominantes nos uniformes de equipes na Copa da Rússia podem ter sido um problema para até 9% da população mundial que sofre de daltonismo. Para reconhecer quem está com a posse da bola é preciso estratégias ou a ajuda de lentes ou óculos. Dos 32 uniformes principais dos países do Mundial, 13 camisas eram vermelhas, cinco azuis, duas verdes, e quatro amarelas.

Nas três variantes do daltonismo, ele se apresenta como um distúrbio da visão que interfere na distinção de cores. Quem é daltônico tem dificuldades para diferenciar, por exemplo, o vermelho do verde ou o azul do amarelo. Todas essas cores foram predominantes nos uniformes da Copa na Rússia. Cerca de 8% da população mundial masculina é daltônica. As mulheres representam cerca de 1% nesse grupo.

“Todos os daltônicos têm dificuldades na identificação das cores primárias, principalmente o vermelho e o verde, ao invés de enxergarem essas cores, eles veem marrom ou cinza”, conta Rodrigo Pegado, oftalmologista da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO).

 Existem três tipos: o protanopia, que altera a cor vermelha, e gera tons de bege, marrom, ou cinza; deuteranopia, onde a cor verde vira marrom; e o mais raro, o tritanopia, que altera os tons de azul e amarelo, para tons rosado. Veja na foto abaixo:

Uniformes da Rússia, Islândia e México (da esquerda para direita), segundo uma simulação da pronotopia (vermelha vira bege), tritanopia (azul e amarelo viram rosado) e deuteranopia (verde vira marrom). Foto: Divulgação.

Fonte: G1 (com adaptações)

Comentário do professor Enrique Campelo: 

  •  Cerca de 8% dos homens e 0,04% das mulheres apresentam a incapacidade de distinguir determinadas cores, característica denominada cegueira à cores ou daltonismo;
  • No tipo mais comum de daltonismo, a mutação afeta um gene localizado no cromossomo X, responsável para a percepção da cor verde. Um homem hemizigoto para o alelo mutante (XdY) ou uma mulher homozigota (XdXd) são incapazes de distinguir verde de vermelho;
  •  Uma mulher heterozigota (XDXd) tem visão normal, uma vez que o alelo para o daltonismo é recessivo. Se ela transmitir o cromossomo X portador do ateio alterado a uma filha, esta só será daltônica se seu pai também for. Mulheres filhas de pai não-daltônico terão visão normal, pois receberão um alelo normal do pai;
  • Mulheres daltônicas são raras, porque a frequência do Xd na população já é muito pequena e este deve aparecer em dose dupla na mulher;
  • O daltonismo é considerado uma herança ligada ao sexo e é determinada por genes que estão localizados no cromossomo X, na região não homóloga a Y. Como as fêmeas são XX, apresentam esses genes em dose dupla e, nos machos, que são XY, eles aparecem em dose simples.

 

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Graduado em Licenciatura Plena em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Pará – UFPA. Atua como Professor do Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos (EJA) na disciplina Biologia Geral. Atua como autor de material didático de instituições de ensino voltadas ao ENEM. Tem experiência em Laboratório com ênfase em Investigações em Neurodegeneração e Infecção da UFPA (HUJBB) e no Laboratório de Biologia Molecular e Celular do Núcleo de Medicina Tropical da UFPA (NMT).