14/06/2018

Um fóssil de cogumelo com 115 milhões de anos de idade, considerado o mais antigo do mundo, foi encontrado na bacia do Araripe, na divisa de Ceará, Piauí e Pernambuco em 2017. Batizado de Gondwanagaricites magnificus, o fungo tem cinco centímetros de altura e coloração marrom alaranjada.

Pesquisadores acreditam que o cogumelo tenha vivido na região na época de Gondwan — um supercontinente que juntava América do Sul, África, Madagascar, Índia, Oceania e Antártida.

A descoberta aconteceu por acaso pelo paleontólogo Sam Heads, do Instituto de Pesquisa em História Natural da Universidade de Illinois (EUA), enquanto ele digitalizava uma coleção de fósseis já coletados no Araripe. O território nordestino é conhecido por paleontólogos por ser um dos locais que mais possui fósseis de seres pré-históricos bem conservados.

Em artigo publicado no periódico PLOS ONE, Heads e sua equipe revelam uma hipótese de que o cogumelo tenha caído em um rio e tenha sido levado até uma lagoa salina. Por lá, ele foi envolto por camadas estratificadas de água salgada até ser totalmente coberto por sedimentos finos —  como argilas e siltes. Com o passar dos anos, o organismo foi mineralizado e seus tecidos, substituídos por pirita, um mineral composto de ferro e enxofre.

Fóssil do Gondwanagaricites Magnificus, o cogumelo mais velho do mundo (FOTO: REPRODUÇÃO/PLOS ONE)

Para Renato Pirani Ghilardi, membro da Sociedade Brasileira de Paleontologia, o cogumelo é especial para a compreensão da evolução e da história do grupo. “A descoberta, além de ser fascinante em sua essência biológica, promoverá um aumento dos ‘olhares’ para o Brasil atrás desses fungos mais antigos”, disse.

Fonte: Revista Galileu

 

Comentário do professor Enrique Campelo:

Os fungos são organismos que podem ser unicelulares ou pluricelulares, mas que não formam tecidos verdadeiros. Entre seus representantes temos o mofo que ataca os alimentos, os cogumelos comestíveis, o fermento para fazer pão, etc. O ramo da biologia que estuda os fungos é a Micologia.

Dentre todos os seres vivos, os fungos, sem dúvida, são os que apresentam a maior variedade de enzimas digestivas. Isto faz dos fungos, ao lado das bactérias, os grandes decompositores da natureza. A variedade de enzimas permite que ataquem praticamente qualquer tipo de material, como madeira, papel, tinta, combustível (há fungos que “atacam” gasolina), conservas, legumes, carnes e muitos outros, causando diversos prejuízos. Vários deles são parasitas, atacando plantações e animais, inclusive o homem, e causando doenças chamadas micoses (pé-de-atleta, sapinho, pano branco, etc.).

Alguns fungos realizam fermentação, sendo usados na fabricação de álcool, bebidas alcóolicas (lêvedo de cerveja) e de queijos, bem como na produção de medicamentos (antibióticos, como a penicilina). Outros são comestíveis e ainda existem aqueles que estabelecem importantes relações de simbiose com as algas (formando os líquens) e com raízes das plantas (formando as micorrizas).

Os fungos sempre tiveram uma classificação difícil e isso se deve a características compartilhadas com outros grupos de organismos. São elas:

 

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Graduado em Licenciatura Plena em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Pará – UFPA. Atua como Professor do Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos (EJA) na disciplina Biologia Geral. Atua como autor de material didático de instituições de ensino voltadas ao ENEM. Tem experiência em Laboratório com ênfase em Investigações em Neurodegeneração e Infecção da UFPA (HUJBB) e no Laboratório de Biologia Molecular e Celular do Núcleo de Medicina Tropical da UFPA (NMT).