23/05/2018

Um processo científico pouco conhecido está sendo anunciado como a nova forma de perder peso, parecer mais jovem e prolongar a vida.

A autofagia é um processo de regeneração natural que ocorre em nível celular no corpo, reduzindo a probabilidade do surgimento de algumas doenças, além de aumentar a longevidade. Em 2016, o cientista japonês Yoshinori Ohsumi ganhou o Prêmio Nobel de Medicina por suas descobertas sobre os mecanismos da autofagia. Estes mecanismos levaram a uma melhor compreensão de doenças como Parkinson e demência.

Desde então, companhias farmacêuticas e estudiosos têm corrido para encontrar medicamentos que estimularão o processo, e especialistas em dieta e bem-estar têm aproveitado a onda alegando que o processo pode ser induzido naturalmente por jejum, exercícios de alta intensidade e restrição ao consumo de carboidratos.

Jejum e dietas pouco calóricas podem estimular o processo de autofagia

Então o que os cientistas dizem?

“Certamente as evidências de experimentos em camundongos sugerem que esse seria o caso”, disse David Rubinsztein, professor de neurogenética molecular da Universidade de Cambridge e do UK Dementia Research Institute (Instituto de Pesquisa em Demência do Reino Unido, em tradução literal). “Há estudos em que se tem ativado o processo usando ferramentas genéticas, medicamentos ou jejum, e nesses casos os animais tendem a viver mais tempo e a estar em melhor forma geral.”

O professor disse que ainda não está claro, no entanto, como isso é traduzido para os humanos. Estudos mostram que ferramentas genéticas, medicamentos e jejum ativam o processo, aumentando a longevidade e melhorando a forma geral.

“Por exemplo, em camundongos, você vê os efeitos do jejum no cérebro em 24 horas, e em algumas áreas de seu corpo, como o fígado, muito mais rapidamente. Mesmo sabendo que o jejum é benéfico, não sabemos exatamente, porém, quanto tempo os humanos precisariam jejuar para ver os benefícios “, disse Rubinsztein. Ele acrescentou que o jejum estimula a autofagia e que seus benefícios também foram comprovados por outros estudos.

O que é autofagia?

  • A palavra autofagia vem do grego e significa “comer a si mesmo”.
  • É o processo pelo qual as células degradam e reciclam seus componentes.
  • Ele fornece combustível para energia e componentes essenciais para renovação celular.
  • Após uma infecção, a autofagia pode destruir bactérias e vírus.
  • As células usam autofagia para se livrar de proteínas e organelas danificadas, para neutralizar os efeitos negativos do envelhecimento no corpo. As organelas são estruturas existentes no interior das células que produzem as características vitais associadas a cada uma destas.
Cientista Yoshinori Ohsumi. Fonte: Reuters

A autofagia foi descoberta pela primeira vez na década de 1960, mas sua importância fundamental só foi reconhecida após a pesquisa de Yoshinori Ohsumi nos anos 90. “O que descobrimos é que ela protege contra doenças como Parkinson, Huntington e certas formas de demência”, disse Rubinsztein.

“Também parece ser benéfica no controle de infecções, bem como na proteção contra inflamação excessiva”. Novos livros de estilo de vida estão dizendo que o processo pode ser “ativado” por mudanças em nossa dieta e estilo de vida, como o jejum – já popular entre muitos seguidores da Dieta 5:2 ou Dieta do Jejum.

(…)

Células nervosas

Evidentemente, jejuar em excesso não é uma boa ideia e qualquer pessoa que queira fazer grandes mudanças em sua dieta ou estilo de vida deve antes consultar um médico. Rubinsztein está otimista sobre os benefícios futuros da autofagia para o tratamento de doenças.

Seu laboratório descobriu que as proteínas se formam em grupos nas células nervosas de pessoas com doenças como Alzheimer e Parkinson. “Descobrimos que, se você ativar a autofagia, remove essas proteínas rapidamente e protege contra doenças neurodegenerativas como as de Huntington e formas de demência”.

Ele espera que um dia possa haver medicamentos disponíveis para intensificar a autofagia. Uma esperança, aparentemente, compartilhada por muita gente. Recentemente, foi divulgado que uma nova empresa nos Estados Unidos, a Casma Therapeutics, recebeu US$ 58,5 milhões (R$ 198,25 milhões) para pesquisar novos medicamentos para intensificar a autofagia.

Fonte: BBC Brasil (matéria na íntegra)

Comentário do professor Enrique Campelo:

Todas as células praticam autofagia, digerindo partes de si mesmas com o auxilio de seus lisossomos. Por incrível que pareça, a autofagia é uma atividade indispensável à sobrevivência da célula. Em determinadas situações, a autofagia é uma atividade puramente alimentar. Quando um organismo é privado de alimento e as reservas de seu corpo se esgotam, as células, como estratégia de sobrevivência no momento de crise, passam a digerir a si mesmas.

No dia a dia da vida de uma célula, a autofagia permite destruir organelas celulares desgastadas e reaproveitar alguns de seus componentes moleculares. O processo se inicia com a aproximação dos lisossomos da estrutura a ser eliminada. Esta é cercada e envolvida pelos lisossomos, ficando contida em uma bolsa repleta de enzimas, denominada vacúolo autofágico.

Dessa forma, entende-se que a autofagia pode ter expressiva importância nos sistemas humanos e, com isso, influenciar a homeostase dos organismos.

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Graduado em Licenciatura Plena em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Pará – UFPA. Atua como Professor do Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos (EJA) na disciplina Biologia Geral. Atua como autor de material didático de instituições de ensino voltadas ao ENEM. Tem experiência em Laboratório com ênfase em Investigações em Neurodegeneração e Infecção da UFPA (HUJBB) e no Laboratório de Biologia Molecular e Celular do Núcleo de Medicina Tropical da UFPA (NMT).