07/05/2018

No dia 18 de abril, a partir do pôr do sol, os judeus deram início às comemorações dos 70 anos da criação do Estado de Israel. Apesar de a data histórica da fundação ter sido em 14 de maio, os judeus comemoram quatro dias depois pois seguem o calendário judaico, que é diferente do calendário gregoriano e baseado nos ciclos da Lua.

A comemoração da fundação do Estado de Israel é antecedida pelo Yom Hazikaron, que é o Dia em Memória dos Soldados Caídos de Israel. As celebrações começaram às 20h do dia 17, após o soar de uma sirene durante um minuto. Durante o toque da sirene, os israelenses ficam de pé, em silêncio, em sinal de respeito pelos mortos. A homenagem relembra os soldados que morreram no conflito árabe-israelense, em 1948, e as vítimas de terrorismo.

História

A história do povo judeu, que passou dois mil anos sem ter um território fixo, começou a mudar no final do século 19, quando milhares de judeus começaram a retornar ao antigo reino de Israel (então território da Palestina), em um movimento conhecido como sionismo.

No entanto, o território em questão era ocupado por árabes. Com a chegada dos judeus à região, em ondas migratórias que se prolongaram até o final dos anos 30, deu-se início a um período de muitos conflitos entre judeus e palestinos.

Além disso, com a ascensão do nazismo na década de 1930, houve um grande fluxo de judeus para a região, fugidos do Holocausto, que exterminou cerca de 6 milhões de judeus.

Estado de Israel

Em 1947, a Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu criar o Estado de Israel, dividindo o território da Palestina, que estava sob mando britânico à época, em dois. O brasileiro Oswaldo Aranha era presidente da Assembleia Geral da ONU e foi ele quem anunciou a aprovação da Resolução 181, que decretava a formalização de Israel.

Divisão territorial estabelecida pela ONU, em 1947. Jerusalém seria território independente. Fonte: Superinteressante

Os judeus ficaram satisfeitos com a proposta, mas os palestinos não. Em 1948, logo após a declaração de independência de Israel, começou o conflito conhecido pelos judeus como a Guerra da Independência; e pelos palestinos como a Catástrofe (Nakba), pois milhares deles tiveram que fugir ou foram expulsos de suas casas. O conflito acabou em 1949, após um cessar-fogo.

Apesar dos conflitos que fazem parte da história e do cotidiano da região, Israel conseguiu se estabelecer como uma democracia estável, tem a economia mais desenvolvida da região e um PIB de cerca de 318 bilhões de dólares.

Fonte: IstoÉ

Comentário do professor Mateus Norman:

Com a morte de Paul von Hindenburg em 1934, Adolf Hitler, nomeado no ano anterior chanceler alemão, acabou acumulando também o cargo de presidente da nação. Somado esse fato ao expressivo número de cadeiras pertencentes ao partido nazista no Reichstag, abriu-se espaço para a maior expressão governamental de antissemitismo da história. As Leis de Nuremberg, promulgadas em 1935, que tiravam a cidadania dos judeus vivendo em território alemão, foram apenas o primeiro passo para a execução de milhões de judeus nos campos de concentração germânicos.

O que ficou mundialmente conhecido como “Holocausto Judeu” foi o estopim para um movimento mundial, contando inclusive com ampla interferência do diplomata brasileiro Oswaldo Aranha, para que o povo judeu pudesse ter novamente sua própria pátria. Depois de se considerar ilhas do Atlântico e o continente africano como destinos possíveis, decidiu-se pelo retorno dos judeus a sua terra prometida: a Palestina. Local onde, após vários anos de conflitos armados, se estabeleceu o estado de Israel, que comemora em 2018 seus 70 anos.

Falando de ENEM

A criação do estado de Israel nos permite refletir acerca da crueldade, dos impactos do governo nazista na Alemanha e também das crises militares no Oriente Médio ao longo do séc. XX. As opiniões sobre o tema são diversas, e cabe interpretar o texto base e o enunciado para entender qual caminho deve ser trilhado até a escolha da alternativa correta.

Porém, o mais comum, é que o tema seja abordado como uma consequência necessária para a sobrevivência do povo judeu após tantos anos de perseguição no Ocidente e ainda como um mecanismo de compensação do povo judeu pelos anos de sofrimento nas mãos dos nazistas. Ataque esse que tinha a permissão das potências ocidentais, que não sabiam dos assassinatos em massa, mas tinham amplo conhecimento das perseguições e desrespeito aos Direitos Humanos no período..