02/05/2018

Ebola, Gripe A, Febre Chikungunya, Malária, Doença de Chagas, Dengue e HIV. Nos últimos anos, todas essas infecções têm sido noticiadas, em nível local, nacional ou global. Mas por que isso acontece? O que justifica o aumento do número de casos de contágios já conhecidos ou o surgimento de novos patógenos?

Uma infecção ocorre quando algum patógeno rompe as barreiras superficiais do corpo, adentra o ambiente interno e se multiplica. A doença vem quando as defesas corpóreas não podem ser mobilizadas com rapidez suficiente para evitar que as atividades patogênicas não interfiram nas funções corporais normais. Doenças infecciosas são disseminadas por contato com quantidades muito reduzidas de fluidos corporais (muco, sangue etc.) que contenham os agentes em milímetros cúbicos suficientes para contaminação.

Em 2004 a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimou que 19,5% das mortes eram causadas por infecções respiratórias agudas, AIDS, diarreia (vírus, protozoários e bactérias), tuberculose, malária, sarampo, coqueluche, tétano, meningite e sífilis.

Em uma epidemia, a doença se espalha com rapidez em uma população, trazendo um grande número de casos num curto espaço de tempo, e depois cede. Doenças de caráter esporádico, como a coqueluche, possuem uma irregularidade de ocorrência e afetam uma quantidade reduzida de pessoas.

Doenças que se caracterizam como endemias ocorrem mais ou menos continuamente, mas não se espalham muito em populações grandiosas, apresentando um número mais ou menos regular de casos por ano, como a tuberculose e leptospirose. No caso destas, as condições climáticas e nível de saneamento podem ampliar o número de casos e evoluir para um quadro epidêmico.

Já em uma pandemia, uma patologia irrompe e se espalha em território de proporções continentais e às vezes atinge todo o espaço mundial, ou seja, é uma epidemia generalizada. A AIDS, que hoje apresenta um certo nível de controle sintomático, porém sem cura, pode ser considerada exemplo de pandemia, sem fim previsto. É importante destacar que historicamente, os movimentos migratórios e expedicionários representam um fator de disseminação de doenças, ajudando algumas a atingirem o caráter pandêmico.

O crescimento desordenado das populações humanas em alguns países ou territórios tem proporcionado a invasão de áreas selvagens (em estado natural), que são o habitat de animais e reservatório natural de agentes infecciosos desconhecidos pela espécie humana.

Vírus Ebola

O aumento dessa interação entre homem e animais selvagens pode permitir a transferência de tais agentes infecciosos ou mesmo de formas descendentes à população humana, gerando novas epidemias e mesmo o surgimento de doenças emergentes (novas doenças). É o que provavelmente aconteceu com: SARS (pandemia viral que ocorreu na China), HIV, Ebola e gripe aviária (H5N1).

Os agentes patogênicos são parasitas que se aproximam de seus hospedeiros, desde que estes possam fornecer energia e matérias-primas. Dessa forma, os seres humanos representam fontes potenciais de tais recursos, os quais, em abundancia, possibilitam um significativo crescimento populacional dos patógenos. Este crescimento é importante, pois, do ponto de vista evolutivo, os agentes infecciosos que mais deixam descendentes vencem e se mantem.

A evolução para a condição de total dominância de um patógeno sobre seu hospedeiro pode ser evitada por duas barreiras básicas. 1 – Por um processo denominado memória imunológica, a qual se estabelece quando uma espécie que já foi parasitada por um agente infeccioso, coevolui e passa a produzir anticorpos específicos para ele. 2 – E ainda pelo tempo, já que a maior ou menor eficiência de um patógeno vincula-se à duração de sua permanência em seu hospedeiro. Os agentes que apresentamuma certa eficiência de sobrevivência podem matar o hospedeiro por ele estar enfraquecido ou simplesmente porque o indivíduo está parasitado por outros hospedeiros, que diminuem muito sua resistência. Há ainda a chance da morte ocorrer pelo não desenvolvimento de defesas contra o patógeno.

Conteúdo elaborado pelo professor Fernando Chuva

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Professor licenciado pleno, formado pelo Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA). Trabalha com educação básica (ensino fundamental e médio) há 9 anos. Ministrou aulas do curso de biologia para turmas do projeto da UAB (Universidade Aberta do Brasil - polo IFPA) e foi professor de disciplinas em cursos da área da Saúde no projeto PRONATEC (governo federal). Atualmente, é professor do Equipe em Canaã dos Carajás.