14/05/2018

Governo planeja investir meio bilhão de dólares australianos na recuperação e preservação do recife, ameaçado pelas mudanças climáticas. Estudo revela que um terço de suas espécies morreu em 2016 após onda de calor

O governo da Austrália planeja investir 500 milhões de dólares australianos – o equivalente a 312 milhões de euros ou 1,3 bilhão de reais – para recuperar e proteger a Grande Barreira de Corais, localizada na costa do país e considerada o maior ecossistema de corais do mundo.

O anúncio foi feito em 29 de abril, pelo ministro australiano do Meio Ambiente, Josh Frydenberg. Em entrevista à emissora local ABC, o político afirmou que se trata do “maior investimento individual em restauração e gestão da história da Austrália”.

Segundo Frydenberg, o montante será gasto para melhorar a qualidade da água, combater uma espécie de estrela-do-mar conhecida como coroa-de-espinhos, que se alimenta de corais, e ajudar a desenvolver novas espécies de corais mais resistentes a temperaturas mais quentes.

A Grande Barreira de Corais, declarada Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco em 1981, é a maior estrutura viva da Terra, com 2.300 quilômetros de extensão, ultrapassando o tamanho da Itália. O recife abriga mais da metade das espécies de corais conhecidas. Ao lado de mais de 1,5 mil espécies de peixes e 4 mil de moluscos, encontram-se animais ameaçados de extinção, como o mamífero dugongo e a grande tartaruga-verde marinha.

A Grande Barreira de Corais foi declarada Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco em 1981

A Grande Barreira está gravemente ameaçada. Em anos recentes, o recife tem sofrido com um efeito conhecido como branqueamento, causado principalmente pelas mudanças climáticas. O aumento da temperatura da água, bem como a acidificação do oceano, causou danos catastróficos aos corais.

Um estudo publicado na revista científica Nature no início de abril mostrou que o ecossistema perdeu quase um terço de seus corais durante um período de apenas nove meses em 2016, após uma extensa onda de calor. Os corais australianos também foram afetados por uma epidemia da estrela-do-mar coroa-de-espinhos. A espécie é um predador natural de corais e vem causando danos enormes a esses animais nas últimas décadas.

O investimento anunciado faz parte de um orçamento que deve ser revelado pelo governo da Austrália nas próximas semanas. Uma parte das despesas será usada para convencer os agricultores a reduzirem a quantidade de substâncias nocivas, como sedimentos e pesticidas, que acabam fluindo para a Grande Barreira, afirmou Frydenberg.

Segundo o ministro do Meio Ambiente, o recife é responsável por cerca de 64 mil empregos, tem um valor de mais de 6 bilhões de dólares australianos à economia do país e atrai mais de 2 milhões de visitantes por ano. “É um ícone natural nacional e internacional, e é por isso que estamos tão determinados em salvá-lo e preservá-lo para as gerações futuras”, concluiu o político.

Saiba mais: A maior estrutura viva do mundo vista do espaço

Fonte: Deutsche Welle

Comentário do professor Enrique Campelo:

Pólipo

Os corais são cnidários antozoários que podem ser solitários ou, na maioria das vezes, coloniais, com vários desses animais em grupo, interligados. Cada indivíduo em uma colônia de coral é chamado de pólipo – animal invertebrado, séssil e normalmente pequeno, formado por tentáculos posicionados ao redor de uma boca central conectada a cavidade digestiva. Podem ter o tamanho da cabeça de um alfinete ou atingir dezenas de centímetros. Eles secretam carbonato de cálcio para construir um esqueleto rígido, o qual protege seu delicado e frágil corpo. Cada colônia pode ter centenas de milhares de pólipos, formando os tão conhecidos recifes de corais.

Muitas pesquisas demostram que aproximadamente 80% dos recifes de corais do Brasil estão ameaçados de extinção devido ao aquecimento global (que causa o aumento da temperatura média dos oceanos). Tal problemática ambiental tem interferido nos corais de todo o mundo, os quais sofrem com o fenômeno conhecido como branqueamento, que consiste na perda de algas unicelulares que vivem no interior de seus tecidos, podendo ocasionar a morte desses animais. Isso ocorre porque estabelecem a interação ecológica chamada de mutualismo, na qual as algas fornecem boa parte do alimento para os corais e estes fornecem sais minerais e gás carbônico.

Além disso, os corais são considerados gigantescos berçários para centenas de animais (sejam invertebrados ou vertebrados) e também indispensáveis ao desenvolvimento e a reprodução de outros seres, pertencentes aos moneras, aos protoctistas, aos fungos e aos vegetais – o que evidencia sua importância para a sobrevida dos ecossistemas aquáticos do planeta Terra.

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Graduado em Licenciatura Plena em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Pará – UFPA. Atua como Professor do Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos (EJA) na disciplina Biologia Geral. Atua como autor de material didático de instituições de ensino voltadas ao ENEM. Tem experiência em Laboratório com ênfase em Investigações em Neurodegeneração e Infecção da UFPA (HUJBB) e no Laboratório de Biologia Molecular e Celular do Núcleo de Medicina Tropical da UFPA (NMT).