17/04/2018

O Diário Oficial da União (DOU) de 20 de março trouxe dois decretos que criam duas novas unidades de conservação marinhas. O anúncio da criação das áreas foi feito no dia anterior pelo ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, durante o 8º Fórum Mundial da Água, em Brasília.

O primeiro decreto cria a Área de Proteção Ambiental e o Monumento Natural do Arquipélago de Trindade e Martim Vaz e Monte Colúmbia, localizados no extremo Leste da Zona Econômica Exclusiva Brasileira (ZEE) do litoral do Estado do Espírito Santo.

Já o segundo cria a Área de Proteção Ambiental Marinha do Arquipélago de São Pedro e São Paulo e o Monumento Natural Marinho do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, no extremo nordeste da ZEE, no litoral do Estado de Pernambuco.

De acordo Sarney Filho, com as unidades, o Brasil amplia de 1,5% para 25% a sua área protegida na zona costeira marinha, ultrapassando os 17% recomendados pelas Metas de Aichi, um conjunto de ações que devem ser assumidas pelos países para deter a perda de biodiversidade planetária. “É um salto fundamental para protegermos os nossos oceanos dos riscos da degradação”, disse.

Este caranguejo é tão incomum que os pesquisadores decidiram que ele deveria pertencer a uma família inteiramente nova, a Kiwaidae, e a um gênero novo, o Kiwa, nomeado com inspiração de deuses da Polinésia

Diversidade dos oceanos

Quando se fala em biodiversidade, costuma-se pensar no verde das florestas. Mas é no azul dos oceanos que está a última fronteira da vida e a maior diversidade de espécies do planeta. Menos conhecido do que a superfície de Marte, o fundo do mar começa a revelar seus segredos.

Até a década passada, o homem conhecia cerca de 230 mil espécies marinhas. Esse contingente saltou para quase 236 mil. E estima-se que o número real ultrapasse um milhão, pelo menos. Juntos, os 17 projetos do Censo da Vida Marinha, uma audaciosa tentativa de inventariar esse novo mundo, exploraram 5% dos oceanos. Parece pouco, mas antes disso se conhecia não mais que 10%, incluídas aí as águas rasas e as rotas de navegação.

Pequeno crustáceo descoberto na costa da Angola em 2006, em uma profundidade de 5.400 metros, também foi achado no sul do Atlântico e no Oceano Pacífico.

O Censo da Vida Marinha ofereceu os primeiros vislumbres de criaturas insólitas que desafiam a capacidade de classificação dos cientistas. Muitas delas são microscópicas, mas nem por isso desimportantes – não custa lembrar que o plâncton marinho é o maior sorvedouro de CO² do planeta. No Golfo do México, por exemplo, foram descritos pela primeira vez crustáceos tão pequenos que sua densidade é de 12 mil indivíduos por metro quadrado. Já no Pacífico, próximo à costa do Chile, o Censo encontrou bactérias gigantes que não precisam de luz ou oxigênio para sobreviver. O anúncio despertou o interesse de astro biólogos (estudiosos de possível vida extraterrestre) que veem nelas características para viver em outros planetas.

Para saber mais: Oceanos abrigam a maior diversidade da Terra – O Globo

Fonte: Jornal do Brasil e O Globo (adaptado)

Comentário do professor Enrique Campelo: 

Os seres de habitat aquático marinho ou dulcícola são classificados em seres planctônicos, nectônicos ou bentônicos.

Os seres planctônicos não possuem órgãos de locomoção ou os têm rudimentares, sendo arrastados pela correnteza e são divididos em fitoplâncton e em zooplâncton.  Os zooplâncton são formados por organismos heterótrofos, como microcrustáceos; pequenos anelídeos; larvas de esponjas, celenterados, insetos, crustáceos, moluscos, equinodermos e urocordados; alevinos (larvas de peixes); protistas (protozoários). Já os fitoplâncton são organismos autótrofos clorofilados, como algas clorófitas; moneras (algas cianofíceas) e protistas (dinoflagelados, diatomáceas, euglenófitas). Os organismos do fitoplâncton desempenham importante papel enquanto produtores nas cadeias alimentares, bem como no processo de renovação do ar atmosférico.

Já os seres nectônicos possuem órgãos eficientes de locomoção, deslocando-se voluntariamente nas águas. São os peixes, cetáceos, moluscos (polvo, lula), crustáceos (camarão), répteis (tartaruga), etc. Por fim, os seres bentônicos vivem apenas no fundo do mar, sendo fixos ou móveis como os equinodermos (estrelas-do-mar), os espongiários, celenterados (corais e anêmonas), crustáceos (cracas), moluscos (ostras), etc.

Dessa forma, concluímos que, de fato, a diversidade de organismos no ecossistema aquático, além de extensa, é significativamente importante para o funcionamento dos demais ecossistemas do planeta Terra.

 

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Graduado em Licenciatura Plena em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Pará – UFPA. Atua como Professor do Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação de Jovens e Adultos (EJA) na disciplina Biologia Geral. Atua como autor de material didático de instituições de ensino voltadas ao ENEM. Tem experiência em Laboratório com ênfase em Investigações em Neurodegeneração e Infecção da UFPA (HUJBB) e no Laboratório de Biologia Molecular e Celular do Núcleo de Medicina Tropical da UFPA (NMT).