09/03/2018

O interventor federal na Segurança Pública no Estado do Rio de Janeiro, general do Exército Walter Souza Braga Netto, afirmou, em fevereiro, que o Rio é um laboratório para o Brasil. “As inteligências, elas sempre funcionaram. Quando você centraliza e unifica o comando, a tendência é que isso agilize o trabalho de inteligência. O que deverá ocorrer agora é uma maior agilidade. O Rio de Janeiro, ele é um laboratório para o Brasil. Se será difundido o que está sendo feito aqui para o Brasil, aí já não cabe a mim responder”, afirmou o general.

O objetivo da intervenção federal, segundo ele, é “recuperar a credibilidade” da segurança pública no estado. O militar e outros membros do gabinete de intervenção concederam uma entrevista coletiva durante cerca de meia hora, mas nem todas as perguntas foram respondidas. O general não explicou, por exemplo, quanto será investido nas operações no Rio, nem anunciou medidas concretas de combate à violência.

O general Braga Netto participou da ação de ocupação da Maré pelo Exército entre 2014 e 2015, mas segundo ele, as ações não devem se repetir: “Não existe planejamento de ações permanentes em comunidades”. Ainda, segundo ele, é fundamental valorizar as polícias, aumentar recursos no setor de inteligência, fortalecer corregedorias e deixar legado. Por conta da violência, o Estado do RJ está sob intervenção federal até 31 de dezembro deste ano.

Fonte: G1

Comentário do professor Mateus Norman:

Em 2018, o momento mais emblemático da ditadura militar, completará 50 anos. Em 13 de dezembro de 1968, o então presidente do Brasil, General Artur da Costa e Silva, decretou estado de sítio, suspendendo uma série de direitos civis da população brasileira e iniciando o período conhecido como “Anos de Chumbo” – que mesmo para os padrões da ditadura militar, é considerado exageradamente rígido.

Foi nesse período, entre o governo de Costa e Silva e o de seu sucessor, o General Emilio Garrastazu Médici, que os protestos pacíficos foram substituídos pelo silêncio dos desaparecidos e pelo barulho das guerrilhas urbanas e rurais espalhadas pelo território nacional.

Uma relação direta não pode ser traçada entre o contexto histórico ditatorial da década de 60 e o atual contexto da ocupação militar da cidade do Rio de Janeiro, porém chama atenção que o exército ocupe as ruas das cidades cariocas no ano das “Bodas de Ouro” do Ato Institucional Número 5 (conhecido como AI-5). Até então, apenas uma coincidência, mas que certamente traz à tona muitas memórias da população brasileira.