26/03/2018

Dois anos depois do rompimento da barragem de Fundão, na região de Mariana (MG), biólogos, geólogos e oceanógrafos que pesquisam a bacia do rio Doce afirmam que o impacto ambiental do desastre, considerado o maior do país, ainda não é totalmente conhecido.

Parte do rejeito, formada por partículas muito finas, permanece em suspensão na água e é carregada pelas correntes | Crédito: Fred Loureiro/Secom-ES

Em 5 de novembro de 2015, 34 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério de ferro jorraram do complexo de mineração operado pela Samarco e percorreram 55 km do rio Gualaxo do Norte e outros 22 km do rio do Carmo até desaguarem no rio Doce. No total, a lama percorreu 663 km até encontrar o mar, no município de Regência (ES).

Ainda não é possível mensurar completamente a dimensão do impacto na natureza porque boa parte da lama continua nas margens e na calha do rio, dizem especialistas consultados pela BBC Brasil. E, ainda, parte dos rejeitos que chegou ao oceano continua sendo carregado pelas correntes marinhas.

Também não há ainda análises definitivas do monitoramento que vem sendo feito dos peixes e animais que voltaram a aparecer nos últimos dois anos. Não há dados seguros, por exemplo, que apontem se eles estão contaminados ou se são apropriados para consumo.

(…)

Os pesquisadores concordam que é inviável retirar todo o rejeito que se espalhou ao longo da bacia, mas ponderam que, quanto mais tempo as ações de recuperação demorarem, maior o risco de que o rio volte a ser contaminado pela lama que ainda está nas margens, especialmente nos períodos de chuva.

Fonte: BBC

Comentário do professor Ivan Veloso:

O acidente em Mariana, considerado o maior da história mineral brasileira, provocou algumas consequências socioambientais graves, sendo as quatro principais:

  • Liberação de rejeito mineral na natureza, ou seja, o lixo que a mineração não aproveita. Infértil, o material pode carregar substâncias tóxicas muito agressivas para o meio ambiente e seus ecossistemas;
  • Devastação florestal de áreas por onde a lama percorreu, destruindo aproximadamente 1.500 hectares de mata nativa, incluindo áreas de proteção permanente;
  • Destruição do distrito de Bento Rodrigues, desabrigando a maioria das famílias que lá residiam e gerando perdas materiais e mortes;
  • Poluição hídrica, especialmente do Rio Doce e de alguns de seus afluentes, atingindo várias espécies marinhas como 80 espécies de peixes, 28 de anfíbios e 4 de répteis.
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É geógrafo e professor exclusivo do Sistema de Ensino Equipe, já lecionou em diversas outras escolas em Belém e região metropolitana. Foi coordenador do projeto Passaporte Enem, publicado pela editora SEE. Atualmente, coordena a editora do Sistema de Ensino Equipe.